Lista de verificação antes de pedir um diagnóstico de recursos
Helena Matos
6 minutos de leitura
Um guia prático, escrito pela consultora principal, com os pontos a verificar em casa antes de decidir se um diagnóstico de recursos faz sentido para o seu caso.

Porque convém pensar antes de decidir
Nestas semanas de outono, muitos proprietários aproveitam o tempo mais calmo para olhar para a casa com outros olhos. Há divisões que ninguém usa, uma garagem cheia de coisas guardadas, um anexo que foi de um familiar. Antes de contratar o que quer que seja, vale a pena fazer um exercício simples de verificação, e é isso que proponho neste artigo.
O diagnóstico de recursos é um levantamento dos imóveis, das divisões e dos espaços disponíveis e do seu estado atual de utilização, e custa 79 €. Não é uma promessa de rendimento nem uma decisão tomada por si. É uma fotografia organizada do que existe, para que qualquer escolha posterior assente em factos e não em suposições.
A lista que se segue serve para perceber se está preparado para esse levantamento, ou se há primeiro coisas a esclarecer em família. Pode percorrê-la com calma, sem pressa, e com um caderno ao lado. Nenhum ponto exige conhecimentos técnicos, apenas atenção ao que já conhece bem.
Primeiro ponto: saber exatamente o que possui
Comece pelos documentos. Procure a caderneta predial, a certidão permanente e, se existir, a licença de utilização de cada imóvel. Muitas vezes estes papéis estão espalhados por gavetas ou em posse de um familiar, e só quando os reúne percebe que há um terreno, uma arrecadação ou uma fração de que já se tinha esquecido.
Confirme também em nome de quem está cada bem. Heranças por partilhar, propriedades em compropriedade ou imóveis ainda registados em nome de pais e avós alteram bastante o que é possível fazer. Não precisa de resolver tudo antes do diagnóstico, mas deve saber o ponto de partida e quem terá de concordar com qualquer decisão futura.
Escreva uma lista simples, com a morada aproximada de cada imóvel, o tipo de espaço e quem o ocupa atualmente. Se alguma coisa não estiver clara, anote a dúvida em vez de a ignorar. Essas dúvidas são precisamente o que o levantamento ajuda a arrumar.
- Caderneta predial e certidão de cada imóvel
- Nome dos titulares e eventuais partilhas pendentes
- Lista de espaços: casas, divisões, anexos, terrenos
Segundo ponto: como cada espaço é usado hoje
O diagnóstico parte do estado atual de utilização, por isso convém ter essa resposta honesta. Divisões fechadas há anos, quartos que só se abrem quando vêm visitas, uma cave usada como arrumos: tudo isto conta. Passe por cada espaço e escreva se é usado todos os dias, de vez em quando ou praticamente nunca.
Registe também quem lá vive ou guarda coisas. Um filho que ainda tem lá os seus pertences, um inquilino com contrato antigo ou um vizinho que usa o quintal por favor são situações comuns e relevantes. Não se trata de as julgar, mas de as conhecer antes de pensar em alternativas.
Tire algumas fotografias com o telemóvel, com boa luz, de cada divisão. Não precisam de ser profissionais. Servem para refrescar a memória e para mostrar a quem o acompanha o que existe, sem que tenha de se deslocar logo à primeira conversa.
- Frequência de uso de cada divisão
- Pessoas que ocupam ou guardam bens no espaço
- Fotografias simples de cada área
Terceiro ponto: o estado físico e a manutenção
Olhe com atenção para o estado das paredes, do telhado, das canalizações e da instalação elétrica. Humidades, infiltrações, caixilharias antigas ou pavimentos gastos não impedem um diagnóstico, mas influenciam o que é razoável propor depois. Anote o que sabe e também o que apenas suspeita, deixando claro qual é qual.
Pergunte-se quando foi feita a última obra relevante e quem a executou. Guardar faturas e garantias ajuda muito. Se houve problemas anteriores, como uma fuga de água ou um problema no telhado, convém mencioná-los. Quanto mais cedo surgem, menos surpresas aparecem nas fases seguintes.
Pense ainda na manutenção que está disposto a assumir. Alguns espaços exigem pouco; outros pedem atenção regular. Ser realista sobre o seu tempo, a sua disponibilidade e a ajuda de que dispõe é parte da verificação, e não deve ser vista como uma fraqueza.
- Sinais de humidade, infiltrações ou desgaste
- Obras recentes, faturas e garantias
- Manutenção que consegue e quer assumir
Quarto ponto: o que deseja realmente
Nem todos os proprietários procuram o mesmo. Há quem queira um complemento regular, quem prefira apenas libertar espaço, e quem deseje manter tudo como está mas com mais segurança. Antes do diagnóstico, escreva em duas ou três frases o que gostaria que mudasse, e o que não quer de modo algum que mude.
Converse com a família. Filhos e netos têm muitas vezes uma ideia própria sobre a casa, e é preferível ouvi-los agora do que descobrir mais tarde um desacordo. Isto não significa que decidam por si, mas evita mal-entendidos e dá-lhe mais firmeza quando chegar a hora de escolher.
Reflita também sobre a privacidade. Partilhar a casa ou parte dela com outras pessoas altera a rotina. Se essa ideia o incomoda, é perfeitamente legítimo, e o levantamento pode apontar alternativas que não passem por receber ninguém em sua casa.
- Objetivos em poucas frases
- Limites que não quer ultrapassar
- Opinião da família, quando relevante
Quinto ponto: dúvidas, custos e o que fica de fora
Tenha presente que o diagnóstico custa 79 € e trata de levantar e descrever, não de executar. Não inclui a comparação de alternativas, que é um serviço seguinte, nem o plano escrito. Perceber esta fronteira evita expectativas erradas e permite-lhe decidir por etapas, parando quando já tiver o que precisa.
Prepare as suas perguntas por escrito: o que dizem as regras sobre arrendamento, que impostos podem estar envolvidos, que licenças podem ser necessárias. Muitas destas respostas dependem da situação concreta de cada imóvel, por isso é útil levá-las já anotadas para que sejam tratadas com precisão.
Por fim, conte com tempo. Um bom levantamento exige que alguém visite ou veja com cuidado cada espaço, e que o proprietário possa responder sem pressa. Se não se sentir confortável em algum momento, diga. A decisão de avançar ou não continua sempre a ser sua.
- Perguntas sobre arrendamento, impostos e licenças
- O que o diagnóstico inclui e o que não inclui
- Tempo disponível para visitas e conversas
Se conseguiu responder à maior parte destes pontos, ou pelo menos identificou o que lhe falta, já deu o passo mais útil. O diagnóstico de recursos serve então para organizar e confirmar, e não para o surpreender. Se preferir falar primeiro, pode contactar-nos pelo telefone ou pelo formulário, e a Helena Matos terá todo o gosto em ajudá-lo a decidir com calma.